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corpos que não param

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CLÁUDIA RODRIGUES DE FREITAS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CORPOS QUE NÃO PARAM: CRIANÇA, ―TDAH‖ E ESCOLA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Porto Alegre 
2011 
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL 
FACULDADE DE EDUCAÇÃO 
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO 
 
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CLÁUDIA RODRIGUES DE FREITAS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CORPOS QUE NÃO PARAM: CRIANÇA, ―TDAH‖ E ESCOLA 
 
 
 
 
 
 
 
Tese desenvolvida junto ao Programa de 
Pós-Graduação em Educação – PPGEDU/UFRGS, 
 
Orientador: Prof. Dr. Claudio Roberto Baptista 
 
Linha de Pesquisa: 
Educação Especial e Processos Inclusivos 
 
 
 
 
 
 
 
 
Porto Alegre 
 2011 
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Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) 
 
 
Ficha Catalográfica elaborada por 
Nívea Bezerra Vasconcelos e Silva CRB 10/1255 
 
 
F866c Freitas, Cláudia Rodrigues de 
 
 Corpos que não param : criança, ―TDAH‖ e escola / 
 Cláudia Rodrigues de Freitas. – Porto Alegre, 2011. 
 
 195 f. il. 
 
 Tese (Doutorado) – Universidade Federal do Rio Grande do Sul. 
 Faculdade de Educação. Programa de Pós-Graduação em 
Educação. 
 
 Orientador: Prof. Dr. Claudio Roberto Baptista. 
 
 1. EDUCAÇÃO ESPECIAL. 2. EDUCAÇÃO INFANTIL. 3. TDAH 
(TRANSTORNO DE DÉFICIT DE ATENÇÃO COM HIPERATIVIDADE). 
4. INCLUSÃO ESCOLAR. 5. ATENÇÃO. I. Baptista, Claudio Roberto. II. 
Título. 
 
 CDD 371.9 
 
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CORPOS QUE NÃO PARAM: CRIANÇA, ―TDAH‖ E ESCOLA 
 
 
 
 
 
 
 
 
CLÁUDIA RODRIGUES DE FREITAS 
 
 
 
 
 
 
 
 
BANCA EXAMINADORA 
 
 
 
___________________________________________ 
Orientador: Profº Drº Claudio Roberto Baptista 
 
 
 
___________________________________________ 
Prof.ª Drª Luciana Vieira Caliman 
 
 
 
___________________________________________ 
Prof.ª Drª Marisa Faermann Eizirik 
 
 
 
___________________________________________ 
Prof.ª Drª Clarice Salete Traversini 
 
 
 
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Aos meus filhos, Fernando e Heitor, que são a alegria da 
minha vida. 
 
 
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Agradeço 
 
 
Ao meu orientador, Prof. Claudio Roberto Baptista, por me acolher e me ensinar. 
Sem ele essa tese não seria possível; 
Às crianças que encontrei em meu caminho e que me fizeram inquieta; 
Às Prof.as Luciana Caliman, Marisa Faerman Eizirik e Clarice Salete Traversini, 
que tiveram especial influência nesta tese através dos argumentos teóricos, antes 
e durante a trajetória; 
Aos professores Clarissa Seligman Golbert, Johannes Doll, Jorge Alberto Rosa 
Ribeiro, Luís Henrique Sacchi dos Santos, Maria Luisa Merino de Freitas Xavier, 
Maria Nestrovsky Folberg, Ricardo Burg Ceccim, os quais contribuíram muito para 
a pesquisa. 
As Educadoras Especiais integrantes da rede Municipal de Ensino de Porto Alegre 
responsáveis pelo Serviço de Atendimento Educação Precoce Psicopedagogia 
Inicial, SIR Altas Habilidades e Assessoria de Educação Especial. 
Em especial às colegas de jornada diária: Rejane, Dorisnei e Vera; 
Ao Heitor que em muitas noites ―precisa estar com algo pronto para o outro dia‖ e 
fica ao meu lado, também escrevendo no computador; 
Ao Fernando por inventar formas de reclamar minha ausência; 
À amiga Marisa pela escuta e acolhida nestes tantos anos; 
A Daisy e a Karla que sempre acreditaram que eu podia; 
Aos colegas de grupo, Carolina, Mauren, Melina, Carla, Carlos, Vanessa, Fabiane, 
Daniela, Marquezan, Rosane, Gabriela, Aline, Maria Sylvia, Bárbara, Kátia, Estela, 
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Luciane e Marlene, que em algum momento escutaram e opinaram, fazendo 
diferença na possibilidade de construção desta tese; 
A Ana Paula que me ajudou de forma fundamental na transcrição de mais de uma 
dezena de longas entrevistas; 
Ao Design Jorge Brum pela idealização da capa da tese; 
Aos cidadãos da cidade de Porto Alegre pelo investimento em mim durante quatro 
anos, disponibilizando seis horas semanais para estudo; 
Aos cidadãos brasileiros que me permitiram estudar e pesquisar na UFRGS 
durante quatro anos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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O principal nesta minha obra da Casa Verde é estudar 
profundamente a loucura, os seus diversos graus, classificar-
lhe os casos, descobrir enfim a causa do fenômeno e o 
remédio universal. Este é o mistério do meu coração. Creio 
que com isto presto um bom serviço à humanidade. 
— Um excelente serviço, corrigiu o boticário. 
— Sem este asilo, continuou o alienista, pouco poderia 
fazer; ele dá-me, porém, muito maior campo aos meus 
estudos. 
— Muito maior, acrescentou o outro. 
E tinha razão. De todas as vilas e arraiais vizinhos 
afluíam loucos à Casa Verde. Eram furiosos, eram mansos, 
eram monomaníacos, era toda a família dos deserdados do 
espírito. Ao cabo de quatro meses, a Casa Verde era uma 
povoação. Não bastaram os primeiros cubículos; mandou-se 
anexar uma galeria de mais trinta e sete. 
 
... 
 
Era decisivo, Simão Bacamarte curvou a cabeça 
juntamente alegre e triste, e ainda mais alegre do que triste. 
Ato contínuo, recolheu-se à Casa Verde. Em vão a mulher e 
os amigos lhe disseram que ficasse, que estava 
perfeitamente são e equilibrado: nem rogos nem sugestões 
nem lágrimas o detiveram um só instante. 
— A questão é científica, dizia ele; trata-se de uma 
doutrina nova, cujo primeiro exemplo sou eu. Reúno em mim 
mesmo a teoria e a prática. 
— Simão! Simão! meu amor! dizia-lhe a esposa com o 
rosto lavado em lágrimas. 
Mas o ilustre médico, com os olhos acesos da 
convicção científica, trancou os ouvidos à saudade da 
mulher, e brandamente a repeliu. Fechada a porta da Casa 
Verde, entregou-se ao estudo e à cura de si mesmo. 
 
O ALIENISTA - Machado de Assis 
 
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RESUMO 
 
 
Esta pesquisa analisa os discursos que identificam um número expressivo 
de crianças como hiperativas na Educação Infantil da Rede Municipal de Ensino 
de Porto Alegre. O discurso escolar produz diagnóstico e encaminha aos 
consultórios médicos, mas com que intenção? O que muda na organização 
pedagógica a partir do diagnóstico ou do laudo médico? O que denuncia o corpo? 
O que anuncia o corpo? As perguntas foram traduzidas de forma a organizar a 
questão central da pesquisa: O que acontece com o saber e o não saber da 
educação face aos Corpos Que Não Param? Para dar sustentação às buscas, 
foram desenvolvidos alguns conceitos fundamentais. O conceito de normalidade, 
tendo como base o pensamento de Canguilhem e Foucault, associa-se ao 
pensamento sistêmico de Gregory Bateson. Considerando a contínua articulação 
entre normal e anormal busca-se a construção do conceito de Transtorno de 
Déficit de Atenção com Hiperatividade – TDAH, tomando as referências históricas 
de construção desse conceito e as evidências de que o diagnóstico referente a 
tais sujeitos se apresenta na forma de epidemia no contexto investigado. Uma 
análise cartográfica da atenção, conceito também central na tese, dá evidência à 
Atenção entendida não como condição prévia, mas em seu movimento circular de 
invenção, como efeito da/na aprendizagem. O trabalho de investigação foi 
desenvolvido conferindo destaque a bebês e crianças pequenas que integram a 
Rede Municipal de Ensino de Porto Alegre, por meio da atenção aos discursos das 
Educadoras Especiais que prestam atendimento a essas crianças e assessoria às 
escolas. A partir das entrevistas, houve a composição de grupos de argumentação
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