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O potencial transmidiático de Harry Potter e suas fanictions Andrea Cristina Versuti Daniel David Alves da Silva Daniella de Jesus Lima Introdução ...

O potencial transmidiático de Harry Potter e suas fanictions
Andrea Cristina Versuti
Daniel David Alves da Silva
Daniella de Jesus Lima
Introdução
O tema proposto por este artigo é o universo de Harry Potter (Rowling, 2000-2007), seu potencial transmidíatico e como isso impulsiona os fãs a produzirem textos a partir desse universo, textos estes denominados fanictions.
Para tanto, este trabalho propõe-se a estudar uma nova subcultura,1 que surgiu acelerada pela popularização da internet nos anos 90: a faniction.2 Faniction é um termo inglês, que signiica: icção criada por fãs sem ins lucrativos. Esse fenômeno de icção feita por fãs surgiu por volta de 1966, quando o seriado norte-americano Star Trek (Jornada nas Estrelas) fazia sucesso nos Estados Unidos. Nesta época as fanics (ou ics) eram distribuídas por fanzines,3 em convenções que promoviam o encontro dos fãs de determinados produtos culturais produzidos em série.
Um aspecto fundamental deste tipo de produção é que os autores escrevem histórias com as quais não poderão lucrar. O que nos leva a investigar como estes tipos de narrativas despertam interesse nos jovens, e ainda, o porquê dessas narra-tivas possuírem um potencial que faz com que os fãs se envolvam tanto com seu
1 Subcultura é um termo da antropologia que designa os segmentos culturais de uma sociedade complexa. Esses grupos apresentam elementos culturais restritos e especíicos (Hebdige, 1998).
2 Histórias de fãs que utilizam as personagens de J.K. Rowling para criar suas próprias histórias e divulgá-las em sites e comunidades da internet.
3 De um modo geral o fanzine é toda publicação feita pelo fã. Seu nome vem da contração de duas palavras inglesas e signiica literalmente ‘revista do fã’ (fanatic magazine) (Guimarães).
O artigo discute a aplicação do conceito de narrativas transmídia no universo iccional da série Harry Potter. A narrativa transmídia ( Jenkins, 2009) pode ser considerada como um campo de investigação sobre a interação entre as produções iccionais disponibilizadas em diversas mídias, ou seja, uma narrativa complemen-tando a outra e não apenas somando-se. Estamos considerando, portanto, as fanics como desdobramentos da história original protagonizada pelos fãs.
Para realizar estas relexões este artigo baseou-se inicialmente em uma pesquisa descritiva feita por Raz e Lucera (2008) em dois sites brasileiros de fanics: www.alianca3vassouras.com e www.loreioseborroes.net. Ambos possuem acervo digital com as narrativas produzidas pelos fãs, ressaltando que o estudo enfatizará o site www.alianca3vassouras.com.
Tomando ainda como aporte teórico os estudos acerca das mídias digitais atuais (Santaella, 2010) e de como essas se desenvolvem, a pesquisa teve como ob-jetivo estudar os elementos que favorecem a convergência midiática da narrativa de Harry Potter, identiicando seu potencial transmidiático.
Narrativas transmídia
As mídias atuais passam por um processo migratório de interfaces e plataformas, a im de atender ao espectador das mais diversas formas. Cada vez mais novos con-teúdos baseados em uma determinada mídia são originados em outra, gerando uma convergência midiática, adequando-se à mudança tecnológica de cada meio, proporcionando novas experiências aos sujeitos culturais.
Henry Jenkins (2009), em Cultura da Convergência, analisa as possibilidades por trás de cada produção dentro do contexto midiático atual. Segundo o autor, “convergência é uma palavra que consegue deinir transformações tecnológicas, mercadológicas, culturais e sociais, dependendo de quem está falando e do que imaginam estar falando.” ( Jenkins, 2009, p. 29).
Ora, se a intenção é gerar novas experiências, então que o conteúdo migrado seja algo genuíno, inédito, mas que ainda traga traços de sua fonte original. Ainal, é a mesma história, contada de outra maneira ou de outra perspectiva. Surge então a narrativa transmídia (transmedia storytelling), uma forma de contar uma determi-nada história, aproveitando possibilidades, trazendo novos elementos que prendam os sujeitos em um universo iccional composto por múltiplas “timelines” – linhas do tempo. Esse processo de migração de conteúdo propõe novas práticas narrativas e um reposicionamento de marketing por parte de seus produtores.
Em suma, a convergência ajuda a contar melhores histórias, a vender marcas e a seduzir o consumidor utilizando as múltiplas plataformas de mídia. Para lograr isso, não há como copiar modelos anteriores; por conseqüência, é preciso criar e adaptar novas possibilidades a partir dos caminhos já traçados. (Renó, Versuti, Gonçalves & Gosciola, 2011, p. 206)
Durante a produção dessas mídias, os produtores pensam em tramas onde os sujeitos também possam participar e protagonizar. E os fãs correspondem a este esforço através da internet criando blogs, fóruns, ou comunidades virtuais, com-partilhando opiniões e sugerindo mudanças no rumo da história. Dentro desse bojo surge o que Jenkins (2009) chama de “capital emocional” ou “lovemarks”, ou seja, mídias que possuem forte relação com seus consumidores. Na convergência de conteúdos em diversas mídias, a indústria se comporta de maneira cooperativa, orientando-se pelo comportamento do seu público.
Canclini (2000) explica que na sociedade contemporânea cujas necessidades de sobrevivência dos sujeitos atrelam-se à dependência empregatícia e onde cada vez mais as pessoas se ocupam em busca de alguma atividade rentável, a consequ-ência é ver a mídia não só como uma conexão com outras pessoas, mas provavel-mente, como substituta desse contato. Tomemos isso como uma possibilidade, que não explica em parte o apego emocional que acaba por surgir por parte dos fãs, e justiica de certa forma a necessidade do sujeito em desenvolver relações nestes formatos.
Nas narrativas transmídia também podemos evidenciar processos interativos como a hipertextualidade, ainda mais presente nas fanics. Contudo, é a intertex-tualidade a maior fonte da transmidiação, que segundo Bakhtin (1986) é o diálogo entre inúmeros textos. Ou seja, nesse tipo de narrativa o esperado é o cruzamento de conteúdos em mídias distintas e não apenas a soma dos mesmos. Podemos dizer que a narrativa transmídia é um universo criado através de várias mídias, ampliando o conhecimento do sujeito sobre o conteúdo da obra, e fazendo com que o mesmo experimente desse universo iccional. É a partir daí que surgem as franquias, que são a extensão de todo o conteúdo iccional relacionado a uma marca.
De acordo com Bakhtin (1986), todo texto vem carregado de polifonias, ou seja, impressões sensoriais e emotivas, e inluências dos contatos que o autor já teve com outras mídias. “A forma mais eicaz de persuadir um leitor é o dialogismo e a intertextualidade que empresta dinâmica ao texto, provocando o receptor à inte-ração.” (Raz & Lucera, 2008, p. 7).
Assim, por trás de todo texto, encontra-se o sistema da língua; no texto, corresponde-lhe tudo quanto é repetitivo e reproduzível, tudo quanto pode existir fora do texto. Porém, ao mesmo tempo, cada texto (em sua qualidade de enunciado) é individual, único e irreproduzível, sendo nisso que reside seu sentido (seu desígnio, aquele para o qual foi criado).

Esta pregunta también está en el material:

Narrativas Transmedia
252 pag.

Teoria da Narrativa Universidad De La SabanaUniversidad De La Sabana

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