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É com isso que ele remete à verdade, ao verídico, ao bem, à beleza, à história. Em relação a esta função, tudo o que é repetitivo e reproduzível é ...

É com isso que ele remete à verdade, ao verídico, ao bem, à beleza, à história. Em relação a esta função, tudo o que é repetitivo e reproduzível é da ordem do meio, do material. (Bakhttin, 1986, p. 331) Dessa forma o texto uma vez escrito, pode ser lido, repassado, desenhado e ilmado, convergindo por várias mídias em diversas plataformas. Assim, tomando as características aqui apresentadas, podemos dizer que, em suma, uma narrativa transmídia se caracteriza pela capacidade de conexão entre uma migração entre as mídias, ou seja, a intertextualidade adequada ao ciberespaço. Santaella (2010) explica que o ciberespaço é constituído pelos computadores e as redes que os conectam, mas que uma relação entre esses computadores deve surgir antes que qualquer objeto seja inserido no ciberespaço. Aliado a isso, temos indivíduos capazes de se relacionar com os inúmeros ambientes de informação que os cercam, as chamadas interfaces, o que segundo Costa (2002), é um dos principais aspectos da cultura digital. Cada um terá sua página, seu mapa, seu site, seu ou seus pontos de vista. Cada um se tornará autor, proprietário de uma parcela do ciberespaço. Mas essas páginas, esses sites, esses mapas se correspondem, se interconectam e conluem horizontalmente por canais móveis e labirínticos. (Lévy, 2001, p. 141) Assim, a partir das relevâncias dos dados aqui apresentados, explicitamos que as narrativas transmídias podem ser também produtos derivados dessa conexão proporcionada pelo ciberespaço, ou seja, as narrativas são os conteúdos que serão migrados nessa convergência de interfaces. pi Narrativas trasmedia_final.indd 168 9/27/12 9:05 AM 169 O potencial transmidiático de Harry Potter e suas fanictions Ficção produzida por fãs As fanictions -icções criadas por fãs- são histórias sem caráter comercial ou lucrativo, escritas por fãs, utilizando personagens e universos iccionais que não foram criados por eles (Reis, 2010), ou seja, a partir de uma história original, fãs criam suas próprias narrativas sem nenhum interesse em lucrar com suas produções. Essas narrativas também podem ser consideradas como uma subcultura, pois traz em si características desta, como cita Hebdige (1998) em seu livro Subculture: the mea- ning of style, deine a subcultura através dos estilos, culminando em uma conclusão comparativa entre cultura e arte. Subculturas (...) manifestam a cultura no sentido mais amplo, como sistemas de comunicação, formas de expressão e representação. Eles se conformam com a estrutura antropologista para a deinição de cultura como ‘trocas codiicadas de mensagens recíprocas’. Da mesma forma, os estilos subculturais, de fato, qualiicam-se como arte mas como arte (e de) contextos particulares, não como objetos eternos, julgado pelos critérios imutáveis da estética tradicional, mas como ‘dotações’, ‘roubos’, transformações subversivas, como movimento.4 (Hebdige, 1998, p. 129). Em A conquista do ciberespaço, Nora (1997) demonstra certa preocupação com a geração que cresceu navegando no ciberespaço e a perda do interesse destes pela leitura tradicional. Em resposta, temos os leitores da franquia Harry Potter, que leem e participam como coautores da narrativa original. Indo além do peril de leitor imersivo virtual (Santaela, 2004), tendo contato com a literatura tradi- cional (livros em seu formato físico) e fazendo uso da multimídia e da hipermídia na produção de conteúdo genuíno baseado nas histórias originais, as fanictions. Nesses textos, os fãs narram pontos de vista alternativos de uma determinada his- tória, aproveitando as possibilidades deixadas por espaços entre os acontecimentos da narrativa original ( Jenkins, 2009). 4 Tradução nossa: Subcultures (…) manifest culture in the broader sense, as systems of communication, forms of expression and representation. In the same way, subcultural styles do indeed qualify as art but as art in (and out of ) particular contexts; not as timeless objects, judged by the immutable criteria of traditional aesthetics, but as ‘appropriations’, ‘thets’, subversive transformations, as movement. pi Narrativas trasmedia_final.indd 169 9/27/12 9:05 AM 170 Narrativas Transmedia. Entre teorías y prácticas A icção é um dos setores mais beneiciados atualmente, pois a comunicação investe alto neste segmento, trazendo assim um aprimoramento das narrativas trans- mídia. A partir disso, linguagens transmídia foram desenvolvidas para viabilizar a comunicação. Dentre essas linguagens podemos destacar aquelas provenientes dos produtos de icção, principalmente por interesses de mercado. Jogos, ilmes, séries, tornaram-se propostas de narrativas transmídia, principalmente com o de- senvolvimento das redes sociais, onde sujeitos tornam-se coautores, desenvolvendo e divulgando suas próprias ideias sobre os produtos originais. Esse tipo de narrativa produzida por fãs não é propriamente uma novidade. Faz parte do cotidiano da maioria dos fãs se imaginarem dentro do universo fanta- so de sua mídia iccional favorita, seja livro, série de tv, ilme, cartoon, ou histórias em quadrinhos. No entanto, os fãs aqui estudados são capazes de interagir com os personagens e se envolver de tal forma com a trama, ao ponto de poder produzir um produto novo e colaborativo derivado desse contato. Jenkins (2009) cita que, “essas histórias são fruto do amor; elas operam numa economia de doação e são oferecidas gratuitamente a outros fãs que compartilham da mesma paixão pelos personagens.” É provável que essas produções de fãs tenham começado a ser produzidas após o lançamento do grande sucesso mundial que foi a série Star Trek (Jornada nas Es- trelas) criada por Gene Roddenberry em 1966. Nessa época, os fãs que produziam suas fanics, as divulgavam por meio de fazines difundidos em organizações de fãs. Porém, não podemos airmar com precisão dados sobre a primeira fanic produzida. A série animada Caverna do Dragão, produzida entre 1983 e 1986, foi que impulsionou a primeira polêmica relacionada às fanics. A mesma foi cancelada na terceira temporada sem constituir um inal, deixando os fãs sem saber o tinha acontecido. Com a popularização da internet, algumas produções de fãs surgiram na rede, inclusive a que causou a polêmica. Esta foi tamanha, ao ponto de chegar a necessidade da intervenção dos produtores, que divulgaram o roteiro do último episódio da série. Escritores famosos já utilizaram as fanics para demonstrar insatisfação com determinadas histórias, mas essas não são consideradas gênero literário. No século xvii, foram publicadas sem autorização produções da obra Don Quixote. E ainda, no século xix surgiram paródias e revisões feitas por Francês Hodgson Burnett e E. Nesbit, de Alice no País das Maravilhas de Lewis Carroll. Além destas, apareceram na rede versões de O Maravilhoso Mágico de Oz e da série Sherlock Holmes. Todas essas produções descritas acima são consideradas exemplos de fanics. pi Narrativas trasmedia_final.indd 170 9/27/12 9:05 AM 171 O potencial transmidiático de Harry Potter e suas fanictions Juntamente com o computador pessoal (pc), surgem novas formas de pensar e escrever que articulam diferentes linguagens e novos signos que se constroem a partir da criação de novos signiicados para os diferentes produtos culturais. (San- taella, 2010). Johnson (2001) compara a diiculdade do ato de escrever um simples bilhete num papel com o esforço feito por um paraplégico ao tentar andar, pois, este seria um dos efeitos ocasionados pela cultura da interface, ou seja, os usuários se acostumam com o meio digital e esquecem o manual, tornando-se muito mais digitadores e não escritores. É no bojo dessas mudanças, somadas à popularização da internet nos anos 90, que surgem novos meios para a publicação das fanics. Sites ou comunidades virtuais (os chamados fandoms) que estimulam através de fóruns a comunicação entre fãs e a produção de textos iccionais originais, ignorando totalmente a existência dos direitos autorais sobre as obras utilizadas. Se pensarmos que as comunidades criam mundos próprios, percebemos que é essa atividade cotidiana – que abrange a publicação de textos, a indicação de links, a produção de questões e a expectativa de receber uma resposta não se sabe de quem, a ida e vinda de mensagens, enim – o que cria, pouco a pouco, um mundo próprio de signiicação, povoado por seres virtuais: idéias, conceitos, sentidos. O objetivo maior está na sensação de pertencer a um ambiente que

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Narrativas Transmedia
252 pag.

Teoria da Narrativa Universidad De La SabanaUniversidad De La Sabana

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